terça-feira, 1 de março de 2011

“Eu Estou Muito Bem !”

“E aí, tudo bem com você???”
Aprendi que esta pergunta é perigosa….
Quando eu a ouço, penso logo naquela historinha do cara que trazia sua égua no carro e sofreu um acidente…
Seu Manuel pensou melhor e decidiu que os ferimentos que sofreu num acidente de trânsito eram sérios o suficiente para levar o dono do outro carro ao tribunal.
No tribunal, o advogado do réu começou a inquirir seu Manuel:
- O Senhor não disse na hora do acidente: “Estou muito bem”?
E Manuel responde:
- Bem, vou lhe contar o que aconteceu. Eu tinha acabado de colocar minha mula favorita na caminhonete…
- Eu não pedi detalhes! – interrompeu o advogado – Só responda à pergunta:
O senhor não disse na cena do acidente: “Estou muito bem”?
- Bem, eu coloquei a mula na caminhonete e estava descendo a rodovia…
O advogado interrompe novamente e diz:
- Meritíssimo, estou tentando estabelecer os fatos aqui. Na cena do acidente, este homem disse ao patrulheiro rodoviário que estava bem. Agora, várias semanas após o acidente ele está tentando processar meu cliente, e isso é uma fraude.
- Por favor, poderia dizer a ele que simplesmente responda à pergunta?
Mas, a essa altura, o Juiz estava muito interessado na resposta de seu Manuel e disse ao advogado:
- Eu gostaria de ouvir o que ele tem a dizer.
Seu Manuel agradeceu ao Juiz e prosseguiu: – Como eu estava dizendo, coloquei a mula na caminhonete e estava descendo a rodovia quando uma pick-up atravessou o sinal vermelho e bateu na minha caminhonete bem na lateral. Eu fui lançado fora do carro para um lado da rodovia e a mula foi lançada pro outro lado. Eu estava muito ferido e não podia me mover. De qualquer forma, eu podia ouvir a mula zurrando e grunhindo e, pelo barulho, eu pude perceber que o estado dela era muito ruim. Logo após o acidente, o patrulheiro rodoviário chegou ao local. Ele ouviu a mula gritando e zurrando e foi até onde ela estava. Depois de dar uma olhada nela, ele pegou a arma e atirou bem entre os olhos do animal. Então, o policial atravessou a estrada com sua arma na mão, olhou para mim e disse:
- “Sua mula estava muito mal e eu tive que atirar nela. Como o senhor está se sentindo?”
- “O que o Sr. falaria, Meritíssimo ???”
Pois é… É assim que me sinto quando alguém me pergunta: “Tudo bem com você?”
Já aprendi que uma das piores coisas que posso fazer é dizer que não está tudo bem. Ai de mim se eu fizer isso…
Se a gente diz que não está tudo bem, a outra pessoa pergunta o porque. Aí, naturalmente, você diz os seus porquês. Por exemplo, “estou achando o trabalho meio chato” ou “ando me sentindo um pouco solitário”…
Bem, aí a outra pessoa vem com um monte de soluções brilhantes para os nossos problemas. De repente a gente percebe que tudo é fácil. Trabalho chato? Mude de área! Solidão? Faça um cursinho e conheça novas pessoas…
Mas é claro que a gente já pensou nas soluções óbvias. E não as achou tão óbvias assim, senão já as tinha colocado em prática. Então a gente começa a rebater os argumentos dos outros… “olha, fazer tal coisa não dá, por isso e por aquilo”…
Porém, ai de você por ousar rebater os conselhos “brilhantes” do teu amigo! Agora ele vai te detonar: “Mas você realmente não tá a fim de melhorar! Tudo que a gente fala você rebate!”
Agora você virou um criminoso vil, que está mal porque quer! Teus problemas têm soluções óbvias, qualquer argumento que você diga é por causa da tua cabeça dura e do teu complexo masoquista.
É como a historinha do seu Manuel. O teu “amigo” que pergunta se tá tudo bem com você é o policial da história. O revólver dele é o bando de soluções “brilhantes” e óbvias que ele vai ter para todos os teus problemas. Ao invés de levar um “tiro”, não é muito melhor você simplesmente responder “eu estou muito bem”?

E aí, tudo bem com você???!!!
Eu estou ótima!!

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